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José Joaquim Lopes Praça (Castêdo do Douro, Alijó,1844 - Montemor-o-Novo, 1920), ilustre filósofo, historiador, jornalista, ensaísta, constitucionalista, docente da Faculdade de Direito de Coimbra e mestre de Filosofia do malogrado príncipe D. Luís Filipe, iniciou a atividade profissional como docente de estudos secundários em Montemor-o-Novo poucos meses após a sua formatura em Direito.

E excetuando uma breve comissão de serviço no Liceu Nacional de Viseu, prosseguiria o ensino na vila alentejana até ao termo do ano letivo de 1879-1880.
Passaria em seguida pelo Liceu Central de Lisboa, antes de iniciar, em Janeiro de 1882, a carreira docente na Faculdade de Direito, que terminaria com a sua aposentação, em 1904.
Esta “terra de penúltima ordem do nosso país”, segundo as suas próprias palavras, para onde o nomearam casualmente, viria a desempenhar um papel determinante na sua vida.

Apesar de jovem, o estatuto de único professor do ensino secundário da terra facilitou-lhe a integração na sociedade local.

O seu valor intelectual, a formação jurídica e as ideias políticas liberais, mereceram-lhe ainda a aproximação do conselheiro Cipriano Justino da Costa, anterior juiz de fora em Montemor e aqui radicado pelo casamento.
Apesar da diferença etária, o antigo magistrado tornou-se seu amigo e abriu-lhe as portas do meio restrito e fechado da elite montemorense.
Lopes Praça foi, por isso, admitido na Comissão Promotora de Instrução Popular do concelho, fundada na década anterior e presidida pelo pedagogo e político liberal Alexandre José Botelho16.

Como seu membro, usou da palavra na inauguração solene da escola Conde de Ferreira de Montemor-o-Novo, ocorrida a 27 de julho de 1871.
Em 1870 havia já dado à estampa uma breve biografia de Cipriano Justino da Costa, com
cuja neta paterna viria a casar em 187218, ligando-se deste modo à ilustre e abastada família local do 1º Conde de Santo André, seu sogro.

Ainda em 1870, publicou anonimamente e à sua custa a Vida e milagres de S. João de Deus patriarca da hospitalidade e fastos literários de Montemor-o-Novo.

Em 1872 editou A Mulher e a Vida ou a mulher considerada debaixo dos seus principais aspetos. Esta obra, dedicada a sua esposa, já foi considerada a mais completa sobre a condição da mulher portuguesa escrita no século XIX.
Lopes Praça foi eleito provedor da Misericórdia de Montemor-o-Novo no mandato de 1872-187320.

E o contacto com o precioso arquivo desta instituição levou-o a editar, em 1873, o seu Compromisso e outras disposições regulamentares da Santa Casa.

Entre 1873 e 1875 empenhou-se na supervisão e edição dos dois volumes dos Estudos históricos,
jurídicos e económicos sobre o município de Montemor-o-Novo., que referiremos detalhadamente mais adiante.

Manteve a colaboração, iniciada ainda como estudante de Direito, nas publicações periódicas conimbricenses, como A Academia, o Jornal Literário e O Instituto.

E apesar da “ausência dos meios os mais indispensáveis” e dos inúmeros afazeres, foi ainda em Montemor que elaborou a dissertação O catolicismo e as nações católicas: Das liberdades da Igreja Portuguesa, com a qual lograria a admissão ao magistério na Faculdade de Direito.

Em 1904, já jubilado, foi escolhido para mestre de Filosofia do príncipe D. Luís Filipe e do infante D. Manuel, função que desempenhou até ao regicídio, em 1908.

Nesta data, já viúvo e amargurado com a morte trágica do rei e do príncipe seu discípulo, regressou definitivamente a Montemor-o-Novo, onde viria a falecer, a 3 de janeiro de 1920.
No entanto, quando se instalou no Alentejo, Lopes Praça trazia já no currículo uma intensa atividade intelectual, não obstante a sua juventude.

Nos anos de estudante colaborara na publicação A Academia acima referida e ainda na Revista de Jurisdição e Jurisprudência.

Na primeira, divulgara os “Apontamentos sobre o movimento histórico da filosofia entre nós”, depois transformados na História da Filosofia em Portugal, dada à estampa em 1868.

E entre a nomeação como professor em Montemor, por decreto de 15 de novembro de 1868, e o início da atividade letiva, concluíra a sua dissertação de Conclusões Magnas intitulada Ensaio sobre o padroado português, editada nesse ano e com a qual obteve o grau de licenciatura.
Quanto a Alexandre Herculano destacamos os intuitos pragmáticos e pedagógicos, bem patentes nos ensaios, artigos jornalísticos, poemas e romances históricos e na sua inovadora produção historiográfica, da qual ainda hoje continuamos a ser tributários.

As violentas polémicas que travou com o clero e a pertinência e controvérsia dos temas de feição política, educativa, religiosa, económica e social dos seus ensaios, originaram-lhe inimizades, mas também lhe acentuaram a projeção pública como “escritor-cidadão”.
A inventariação e recolha documental efetuada com vista à publicação dos Portugalia e Monumenta Historica proporcionaram-lhe o contacto com numerosos núcleos locais de estudiosos e intelectuais, junto dos quais exerceu naturalmente maior ou menor influência.

A sua atividade, ainda que efémera, como parlamentar e autarca, acentuaram-lhe
a visibilidade.

E a numerosa correspondência trocada com correligionários e amigos da sua geração mas também com muitos discípulos mais jovens (entre os quais se inclui Lopes Praça), granjeou-lhe um leque ainda mais amplo de admiradores.
No entanto, os efeitos concretos do seu pensamento e da sua ação na formação cultural, cívica e política dos contemporâneos mais jovens, nos quais depositou, numa fase mais otimista da sua vida, as esperanças do aperfeiçoamento e consolidação do regime liberal, é ainda um tema em aberto, para o qual poderemos também, com o presente estudo, prestar algum contributo.
Alexandre Herculano constituiu uma das grandes referências da formação intelectual, cívica e política de José Joaquim Lopes Praça. Na introdução à História da Filosofia em Portugal, o futuro académico exprime a admiração por aquele que designa como “o talento mais robusto da nossa terra”, de quem revela ter seguido o exemplo na conceção e nos objetivos da obra: “Acordar na memória do povo português a lembrança do seu passado”, para mais prudentemente se regular no presente e no futuro. Além dos intuitos pedagógicos, colhe no mestre a valorização dos “documentos inéditos”, bem como o rigor metodológico pelo qual se propõe “expor a verdade”. E regista a solidariedade perante a “grande e justa (…) dor” do historiador, originada pelas críticas violentas contra a sua obra e o “nobre fim do seu pensamento”, desferidas pela Igreja e secundadas pelos setores intelectuais conservadores.
Na já referida biografia de Cipriano Justino da Costa, o professor reafirma a admiração pelo grande intelectual ao equiparar as qualidades do amigo biografado à sua “severa modéstia”.

Fonte: https://montemorbase.com/

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Infante D.Manuel aos 15 anos (1904)

por Blog Real, em 02.05.15

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O principe real e o senhor infante D. Manuel passeando no arraial de Santa Eufémia.

FONTE: https://www.facebook.com/AdoroSintra/photos/a.678430358859729.1073741893.426032290766205/678430478859717/?type=1&theater

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lustração Portuguesa nº 31 de 6 de junho de 1904: Cerimónia na Escola Naval por ocasião do assentamento de praça de S.A.R. o Senhor Infante D. Manuel, onde prestou juramento sobre a bandeira da Companhia das Guardas Marinhas. S.A.R. com a mão estendida sobre as armas reais desse estandarte com voz firme e clara. De seguida colocou-se à esquerda do corpo e passou em continência a SS.MM. com todos os seus novos camaradas. D. Manuel cheio de galhardia, na sua farda de aspirante, foi cumprimentado por todas as autoridades e recolheu ao Paço das Necessidades constando que fará o seu curso de guarda-marinha na Escola Naval.

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